A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) evidencia as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa durante o período, demonstrando como o caixa da empresa foi gerado e utilizado. Permite avaliar a capacidade da empresa de gerar caixa, honrar compromissos financeiros e financiar investimentos e operações.
A DFC classifica os fluxos em três grupos: Atividades operacionais (atividade principal), Atividades de investimento (aquisição ou venda de ativos de longo prazo) e Atividades de financiamento (captação e pagamento de recursos de sócios ou instituições).
Existem dois métodos de apresentação: direto e indireto. A diferença está apenas nos fluxos operacionais, investimento e financiamento permanecem iguais. O método indireto parte do lucro ou prejuízo líquido do período (apurado na DRE) e realiza ajustes para converter o resultado contábil em fluxo de caixa operacional.
Entre os ajustes mais comuns estão a adição de despesas que não representam saída de caixa (depreciação, amortização), a exclusão de receitas que não representam entrada de caixa e os ajustes nas variações de contas operacionais do ativo e passivo (clientes, estoques, fornecedores, tributos a pagar ou a recuperar).
O método indireto evidencia a conciliação entre o resultado contábil e o caixa gerado pelas operações, sendo amplamente utilizado por facilitar a elaboração a partir das informações da contabilidade.
💡Empresas que utilizam o Plano de Contas e demais configurações contábeis no padrão OneFlow terão o modelo de estrutura da DFC Indireta já criado, bastando vinculá-lo às configurações de geração da demonstração. Para a DFC pelo método direto, consulte o artigo Criando e Configurando o Modelo de Estrutura da DFC Direta no OneFlow.
Tópicos do Artigo
Criando o modelo de estrutura
1) Abra o OneFlow, entre no módulo Contábil (1) e clique em “Abrir Contábil” (2) da empresa que realizará a operação.
2) No menu lateral, clique em Contábil (1), localize Relatórios > Demonstrativos e acesse “Configurar Estruturas” (2).
3) Na tela exibida, você poderá editar uma estrutura já existente ou clicar em “Incluir” para criar um novo modelo.
4) Na inclusão, você pode optar por utilizar uma estrutura já existente no sistema (1). Nesse caso, existem três opções:
Utilizar uma estrutura de outra empresa (2): disponível apenas se as empresas estiverem compartilhando o mesmo plano de contas e de históricos. Caso contrário, não será possível prosseguir.
Utilizar uma estrutura disponível no OneFlow (3): serão exibidas estruturas já utilizadas em outras empresas. Também exige compartilhamento do plano de contas.
Duplicar uma estrutura de outra empresa (4): igualmente depende do compartilhamento entre os planos de contas.
5) Você também pode criar uma estrutura do zero (1), que é a opção mais indicada para carregar automaticamente a estrutura padrão disponibilizada pelo OneFlow. Em seguida, clique em “Continuar” (2).
6) Nessa tela, informe o tipo de demonstrativo como “DFC Indireta”, preencha a descrição com um nome para identificação da estrutura e selecione o plano de contas utilizado pela empresa.
Em seguida, confirme o carregamento da estrutura padrão disponibilizada pelo OneFlow.
Entendendo os itens da estrutura
Os itens da estrutura possuem duas composições básicas:
1 — Contas contábeis: itens nos quais devem ser vinculadas as contas que comporão os saldos da DFC. Esses itens precisam ter o campo Natureza preenchido, essa informação é utilizada para identificar a variação do item (aumento ou redução do Caixa).
💡Variação representa a diferença entre o saldo inicial e o saldo final das contas contábeis no período, ou seja, o movimento. Pode ser sinalizada como Aumento ou Redução do Caixa.
2 — Totalizadores: itens que totalizam os valores calculados nos sub-itens não totalizadores (aqueles que recebem os saldos das contas contábeis).
A operação de totalização já vem configurada no modelo padrão. É recomendável manter como Soma, valores positivos serão somados e valores negativos serão subtraídos da totalização geral.
Vinculando contas contábeis aos itens
1) Após criar o modelo padrão, selecione (com duplo clique ou pela opção Editar item) os itens cuja Composição seja Contas contábeis.
2) A primeira aba identifica o item de estrutura selecionado.
3) Acesse a aba Contas Contábeis (1) e clique em Vincular Conta (2).
4) Marque as contas desejadas (1) e clique em Vincular (2).
💡 Dica: caso deseje vincular todas as contas analíticas de um grupo simultaneamente, basta selecionar a conta totalizadora correspondente e confirmar a inclusão automática das contas filhas.
Identificando as contas dos saldos inicial e final
Nos itens referentes aos saldos, devem ser relacionadas as contas contábeis que representam Caixa e Equivalentes de Caixa (Bancos, Aplicações de Liquidez Imediata, etc.), normalmente localizadas no grupo Disponibilidades do Plano de Contas.
Ao acessar um desses itens, observe na aba Item da Estrutura do Demonstrativo a marcação que identifica se trata-se de saldo inicial ou final.
⚠️ Importante
É essencial manter esse parâmetro corretamente configurado para que, na geração da DFC, o sistema obtenha corretamente os saldos das contas de Caixa e Equivalentes.
Após associar as contas ao Saldo Inicial, faça o mesmo para o Saldo Final. Nesse momento, a seguinte mensagem pode aparecer:
Para os itens de Saldo Inicial e Final, é correto responder afirmativamente, eles realmente compartilham as mesmas contas contábeis.
Tenha cuidado quando essa mensagem aparecer durante a configuração de outros itens da estrutura (diferentes de Saldos Inicial e Final). Ao confirmar nesses casos, o saldo da conta contábil alertada será gerado em duplicidade na DFC, resultando em divergências.
Identificando as contas do item Resultado
A DFC Indireta demonstra os valores que compõem o Caixa a partir do resultado (lucro ou prejuízo) apurado pela empresa. A configuração das contas contábeis para o item de resultado pode ser feita de duas formas:
Forma 1 — Considerando as contas do Patrimônio Líquido
A composição das contas deve ser débito ou crédito, de acordo com o resultado que representam:
Lucro = crédito
Prejuízo = débito
⚠️ Ao optar por essa forma, o resultado será gerado na DFC Indireta apenas se: o período da demonstração tiver resultado apurado (via zeramento), E se estiver desmarcada a opção para desconsiderar o zeramento.
Forma 2 — Considerando as contas de Resultado
Nesse caso, todas as contas de resultado (Receitas, Custos e Despesas) devem ser relacionadas ao item Resultado Líquido do Exercício da estrutura, com a composição = Movimento da Conta.
⚠️ Ao optar por essa forma, o resultado será gerado na DFC Indireta independentemente da empresa ter feito ou não a apuração do resultado (zeramento). Se o resultado já tiver sido apurado, a opção para desconsiderar o zeramento deverá estar marcada.
💡 Com exceção do item referente ao Resultado Líquido, não é necessário associar contas contábeis de resultado (Receitas, Custos e Despesas) na estrutura da DFC Indireta.
Identificando as contas dos demais itens da estrutura
Para os demais itens com composição Contas contábeis, devem ser vinculadas as contas contábeis patrimoniais (Ativo e Passivo), conforme o tipo de atividade a que pertencem, segundo o CPC nº 3:
Atividades operacionais: fluxo relativo à produção e entrega de produtos e serviços. Exemplos: contas a receber, estoques, fornecedores, contas a pagar, impostos.
Atividades de investimento: uso de dinheiro na aquisição de ativos que podem gerar frutos no futuro. Exemplos: compra de bens para o ativo imobilizado, investimento em ações.
Atividades de financiamento: captação de recursos de sócios ou de terceiros para compor o caixa. Exemplos: empréstimos, financiamentos, aumento de capital.
💡Para esses itens, é recomendável utilizar a composição Saldo Atual, para que na DFC Indireta seja gerada a sua variação (aumento ou redução do caixa).
Exemplo prático de vinculação
Considere um Balancete de Verificação dos grupos Ativo e Passivo de um período. Nas colunas Item da DFC Indireta e Composição, são sugeridos os itens da estrutura nos quais as contas do Balancete devem ser associadas:
⚠️ No exemplo acima, foram associadas no item Resultado do Exercício as contas de Lucro e de Prejuízo do Patrimônio Líquido. Com isso, o resultado da empresa será gerado na DFC Indireta apenas se houver apuração de resultado (zeramento) realizada no período.
Resultado esperado na DFC Indireta
Com base nos dados do balancete, a DFC Indireta gerada será:
ITEM da ESTRUTURA da DFC INDIRETA | VARIAÇÃO | VALOR |
ATIVIDADE OPERACIONAL | — | — |
Resultado do Exercício (lucro/prejuízo) | (não se aplica) | (93.800,29) |
Depreciação e Amortização | (não se aplica) | 1.813,72 |
Contas a Receber | Redução | (243.626,62) |
Fornecedores | Redução | (21.349,79) |
Contas a Pagar e Provisões | Aumento | 243.877,68 |
Total da Atividade Operacional | — | (113.085,30) |
ATIVIDADE DE INVESTIMENTO | — | — |
Aquisição de Imobilizado | Redução | (18.920,18) |
Aquisição de Ações/Cotas | Redução | (2.000,00) |
Total da Atividade de Investimento | — | (20.920,18) |
Variação do Fluxo de Caixa | — | (134.005,48) |
Saldo Inicial do Período (Caixa) | (não se aplica) | 167.161,67 |
Saldo Final do Período (Caixa) | (não se aplica) | 33.156,19 |
A prova de que o resultado está correto é que o valor da Variação do Fluxo de Caixa (134.005,48) corresponde exatamente à diferença entre os saldos inicial e final do Caixa e Equivalentes.
Como é feita a totalização e identificação da variação dos saldos
Na DFC Indireta deve ser demonstrada a variação entre os saldos final e inicial, ou seja, o movimento da conta. Mesmo com a composição Saldo Atual configurada, o valor gerado na demonstração será o movimento do período, e não o saldo final da conta.
Diferença entre Saldo Atual e Movimento
Itens configurados como Saldo Atual (exceto os de saldos inicial e final do período): a variação no período é verificada e a descrição da variação (Aumento ou Redução) é apresentada na demonstração.
Itens configurados como Movimento, Débito da Conta ou Crédito da Conta: não é gerada a descrição da variação.
⚠️ Para identificar se o saldo a ser totalizado em cada item da DFC deve ser positivo ou negativo, é verificada a natureza configurada para o item: natureza CREDORA apresenta saldo negativo quando a totalização for devedora; natureza DEVEDORA apresenta saldo negativo quando a totalização for credora.
Como identificar Aumento ou Redução do Caixa
A verificação é feita pela comparação entre os saldos final e inicial do período:
Saldo final do Ativo (devedor) maior que o inicial = Redução do Caixa.
Saldo final do Ativo (devedor) menor que o inicial = Aumento do Caixa.
Saldo final do Passivo (credor) maior que o inicial = Aumento do Caixa.
Saldo final do Passivo (credor) menor que o inicial = Redução do Caixa.
Vinculando o modelo na geração da DFC Indireta
Após concluir o relacionamento das contas contábeis aos itens da estrutura, a DFC Indireta poderá ser gerada normalmente.
Para isso, basta vincular o modelo criado no campo Estrutura das configurações da obrigação e realizar a emissão da demonstração.
Para mais detalhes sobre a geração da DFC Indireta, acesse o botão abaixo.
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